Sol sobre o Dilúvio

FRATERNAL
 
três machos sem direito a cópula
cagam três vezes ao dia
num cativeiro moderno
 
recolha-se a merda
banho e ração
Ralph, Mateus e Subcomandante
pastores pastoreando passarinhos
ó como eu gosto de animais
 
três machos sem direito a cópula
ouvem o canto da sereia
no quintal de seu monastério
 
atacam-se decepando orelhas
mordem saco lombo jugular
em meio a latidos vâo fazendo
vermelha a arena do combate
 
agora aí estão lambendo-se
lambendo-se as feridas como irmãos
 
PRETO NO BRANCO
 
a moça branca do lado de cá
fuma um baseado no quarto
 
pela janela morro acima
o moço negro na laje
 
no abismo evolui uma pandorga
 
a moça branca do lado de cá
o moço negro na laje
 
REBELIÃO
 
o fantasma arromba
o meu lençol florido
abriu-se (abri)
a porta que retém
a sombra úmida
que me habita
o vento traz o fétido
frio calabouço
sítio de degredo
bater de dentes
as unhas sujas
o eixo por um fio
 
esperar que se feche
a porta
estanque o vento
cesse o tremor
alguém devolva
meu lençol
florido
 
Helena Ortiz
sol sobre o dilúvio
editora da palavra
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Acerca de pacha creaciones nómadas

Una mujer y otras tantas más, artesana, madre, abuela, licenciada en letras y literatura española, una libertaria feminista en permanente revolución...
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