Animalesca Escolha

Soneto Dissonante
 
Palácios, almofadas de cetim,
caramanchões, perfume de alfazema,
diamante em preciosíssimo diadema,
manjares, vinho, essência de jasmim.
 
Malária, convulsão, pedra no rim.
gangrena, diabetes, enfisema,
bronquite, tifo, lepra, cancro, edema,
glaucoma, raiva, cólera… Ai de mim!
 
Você que lê, sentiu-se incomodado?
Então já percebeu como me sinto,
um cego porco em solo imaculado.
 
Até que meu grunhido seja extinto,
serei saliva imunda no solado
de quem pisa soalho tão distinto.
 
Soneto Mitológico
 
Nas lendas, ou é oito ou é oitenta.
Ciclope tem um olho, e o Argos cem,
Saci uma perna só. Sereia sem.
A mídia diminui. O povo aumenta.
 
Trabalho de escritor nada acrescenta.
A tradição oral vai muito além.
Superstição é estímulo, também.
Maior o medo, mais a fé fomenta.
 
Tem gente que alimenta a própira lenda,
plantando situações que não viveu,
e sei de um escritor que não se emenda.
 
O cara não é nobre nem plebeu.
É cego e se diz conde sem comenda.
Tarado e puritano, esse sou eu.
Glauco Mattoso
editora AMEOP
 
 
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Acerca de pacha creaciones nómadas

Una mujer y otras tantas más, artesana, madre, abuela, licenciada en letras y literatura española, una libertaria feminista en permanente revolución...
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